Crônica
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Acordei, fui ao banheiro e escovei os dentes. Viva ao feriado de Nossa Senhora! Padroeira. Também é dia da criançada. Segunda mansa, mas com fé. Lá na cozinha, o dia começa com pizza fria e café. Dia de acolhimento, dia de faxina. Fascina. [...]Dia de faxina
13 de outubro de 2020 -

Uma figura me observa e, com respirações pausadas, diz: “o meio se torna o que você vibra”. Sobre o homem que me diz isso, sinceramente, acho um chato. Me lembro de Sidarta, personagem do livro de 1922 de Hermann Hesse, autor que posteriormente [...]Sidarta, Emicida e o falso profeta
6 de outubro de 2020 -

Nos últimos anos, me privei de miudezas. Não consigo me conectar. O tempo me amargou, calou meus versos de guardanapo; minhas esquetes de palhaço; dessensibilizou rabiscos rotineiros. Hoje me equilibro com livros pomposos – que me deixam com um ar meio blasé – [...]Borrachinha e os cafonas do Leblon
29 de setembro de 2020 -

Pelo olho mágico da velha porta descascada ela olha, com a sua vestimenta tenta não revelar-se, com a sua natureza busca engrandecer-se, pois ela não é visível aos olhos desenganados que leem as mensagens do outro lado da porta: “É proibido atravessar”, “Por [...]Por trás do olho mágico
3 de setembro de 2020 -

Frito, como na gíria. Em metáfora comparativa ao consumo excessivo de drogas sintéticas. Ao esfacelamento do sistema dopaminérgico. Frito, junto com toda a minha geração. Por aqui, nada mais faz sentido. Um ser humano não pode adaptar-se neste país – os adaptados, receio [...]Digam ao povo que frito
1 de setembro de 2020 -

Por baixo do viaduto os caminhões, sem direções os automóveis, humanos motorizados os guiam, desgovernados, quilômetros de asfalto, um rio poluído em grande parte de sua extensão, assim como o ar, o nosso lar, árvores que renovam as esperanças constantemente para se manterem [...]Andar de baixo
27 de agosto de 2020 -

Ouve o que ela fala? O final ficou claro? A menina molha os pés no riacho, se por desleixo ele cessa, a menina do olho seca. Escuta o que ela diz? Se por descuido der de ombros para o que ela sopra, saiba, [...]Palavras ao vento, o sopro, sua voz em movimento
13 de agosto de 2020 -

Quanto mais envelheço, mais me encanto com a forma com que certas pessoas lidam com sua maldade particular. Neste planetinha azul – onde favelas, pandemias e desmatamento pipocam –, cada habitante carrega no peito seu próprio inferninho. Alguns o administram, outros o negligenciam. [...]De toda a maldade
11 de agosto de 2020 -

Desperta entremuros, os olhos fechados permanecem. Muros à prova de maremotos, erguidos através dos escombros. Não há nada que possa entreter e deter, quando a madruga afunda, queira ou não há aurora, ela emerge, urgente. A madrugada sempre avança, representando essa [...]Entre ventres, entremuros
6 de agosto de 2020 -

Do futuro a imagem na tela, ela se esfarela, uma bagagem que o traz por inteiro, repleta de dinheiro, e o senhor engravatado oferece tudo que o tem por um copo de água, todos os dias, ele volta e diz que podem ficar [...]De um tempo que a grana que o tem já não conta
30 de julho de 2020