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“Queremos levar carinho para as ruas”, diz coletivo meiofio

Matéria publicada originalmente no site Cidade Lúdica

por Adolfo Caboclo, 2 de dezembro de 2016
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meio-fio

Casa de avó: cheiro de bolo quentinho, manteiga derretendo no pão, toalha xadrez e a voz do apresentador Silvio Santos ecoando na televisão ao fundo.

No cantinho do sofá, um novelo. Matéria prima da toalha, do vestido ou do tapete – tanto faz. O que sair desse novelo será algo que pode ser tratado como o mais puro “carinho de vó”. Quanto desse tal carinho ultrapassa os limites da casa? Quanto que pode ultrapassar? Sete mulheres, com diferentes formações e conhecimentos, se viram diante dessas questões e bolaram um projeto.

Daí surgiu o coletivo meiofio, que tira a técnica do crochê e tricot do espaço privado e o leva ao público. As criadoras do projeto também difundem o ponto cruz urbano – que faz poemas e palavras – e também o grafios – grafite com fios.

“Fundamos o coletivo em junho do ano passado”, explicou Nara Coló, uma das sete fundadoras. Elas já viajaram pelo interior paulista no circuito Sesc e realizam ações em Pinheiros, Santo Amaro, Largo do Arouche, Ipiranga, Paulista, Praça Roosevelt, Itaquera, Pompéia, Vila Madalena e tantos outros bairros das zonas sul e leste da capital paulista.

O coletivo se expandiu e hoje conta com outros colaboradores. Quando alguém se depara com um integrante do meiofio em algum local da cidade, é comum que ele seja presenteado com um coração de crochê.

“Os corações são um cartão de visitas do coletivo. Em todas as ações entregamos corações ao público. É uma forma de carinho e das pessoas entrarem em contato com o nosso trabalho. Andamos pela rua com guarda-chuvas feitos de crochê distribuindo esses corações. Muitas vezes as pessoas não aceitam, achando que estamos vendendo alguma coisa. As pessoas não estão acostumadas a receber esse tipo de carinho”, conta Nara, que assumiu o espanto da primeira vez em que tentou presentear alguém e a pessoa recusou e saiu andando mais rápido.

O primeiro trabalho do coletivo foi na festa junina do Minhocão em 2015, quando elas fizeram bandeirinhas.

“A nossa ideia é ressignificar. Nos associam com a tia e com a avó fazendo coisas para a casa. Todas as nossas ações transmitem a ideia do carinho e é esse carinho que queremos trazer paras as ruas, para que as pessoas se sintam em suas casas. Muita gente de idade mais avançada nos vê fazendo aqui, não entendem, mas depois acham interessante e alguns acabam tentando também fazer isso no espaço público”.

Acompanhe todas as próximas ações do coletivo na página no Facebook.

  • Esta matéria é um conteúdo original do Movimento Lúdica.
  • Todas as imagens utilizadas pertencem ao coletivo meiofio.

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Adolfo Caboclo

Comunicólogo, pós-graduado em administração e em neurociência e psicologia aplicada. É um dos fundadores do Coletivo Não Só o Gato, do Movimento Cidade Lúdica e do Cia Suspirada de Palhaços Amadores.

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