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Edifício Malleta: o Copan mineiro

por Fernanda Miranda, 5 de fevereiro de 2014
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foto 1Existem certos lugares que  são o símbolo e a síntese de algumas cidades. Não vejo nada mais paulistano, por exemplo, do que o Edifício Copan. O edifício é a São Paulo democrática, onde vivem ricos e pobres, brasileiros e gringos. Onde há aulas de meditação e até serviço de cartomante. Não à toa, o famoso prédio de Niemeyer de mais de mil apartamentos no centro da cidade já virou temas de muitos livros, reportagens e filmes. E nunca vai deixar de ser, pois aquele local pulsa, vibra e se transforma constantemente.

Por isso não pude deixar de pensar nele quando aterrissei na esquina da avenida Augusto de Lima e a Rua da Bahia, em Belo Horizonte. Por recomendação de um simpático dono de posto que conhecemos por lá — o Saulo —, fui atrás do endereço do famoso Conjunto Arcangelo Malleta, mais conhecido como Edifício Malleta.

O prédio, construído em 1957, é, assim como o Copan, utilizado para uso comercial e residencial. E é também grandioso, localizado em endereço central. Ao entrar, fomos recepcionados por um espaço no térreo cheio de bares, com mesinhas do lado de fora e cervejas ao monte, do jeito que o calor daquele dia pedia. Competindo com os bares lotados, havia lojas oferecendo caixas de feira lotados de livros velhos. Além dos livros, os sebos vendiam gibis antigos, discos de vinil e seus donos tranquilamente colocavam todos seus objetos à venda no caminho de passagem.

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Lá em cima, no primeiro andar, a farra de bares continuava. Mas lá é ainda melhor, porque os bares ficam dispostos na varanda, local bem fresquinho e com vista privilegiada para a avenida Augusto de Lima. O bar que escolhi para tomar uma cerveja gelada era um “mix” do que vi lá embaixo: bar, sebo e brechó. A trilha sonora da tarde foi composta por um DJ porreta, que colocou no som de Beatles à Deborah Blando (“Raioooou o sooool”). A cerveja era barata, os petiscos bons, e o garçom simpático.

Sem dúvidas, foi a tarde mais delícia nos meus dias em terra mineira. No edifício mais bacana que conheci na cidade, do jeitinho que gosto. Com ares democráticos e pra lá de urbano. Muito mais gostoso que queijo e cachaça, pelo menos aos olhos de uma paulistana!

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foto 2Fotos e vídeo de Adolfo Martins

 

Fernanda Miranda

Recém-formada em jornalismo e editora do Não Só o Gato. Ama história em quadrinhos, os textos da jornalista Eliane Brum, as trilhas sonoras dos filmes do Woody Allen e azeitonas.

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