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Os Deuses Vermelhos do MASP

Curadoria fictícia de obras do acervo

por Adolfo Caboclo, 12 de outubro de 2017
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E na Pauliceia, homens brancos cobriram de cinza mais de três centenas de rios e córregos, renegando qualquer raiz indígena ou matuta. No ponto mais alto dessa terra, idealizaram uma avenida de ícones capitalistas, onde uma centena de homens cristãos levantaram construções fálicas.

Então, o marabá Chateaubriand chamou Lina para idealizar um cavalo de concreto no meio da Tróia paulistana. Um cavalo em forma de museu, com signos de resistência em seu interior. Construção cujos pedestais de cores vermelhas seriam maquiados por militares até 1986. Obra que serviria como mirante, abençoada pelos atabaques dos negros oprimidos e injustiçados pela história do Bixiga e Liberdade.

Abaixo desta construção, transeuntes se protegeriam das águas mandadas por Tupã nas tardes de verão e poderiam ver um prisma de luz penetrando na mata dos pretos velhos do Trianon. Ririam de forma debochada do descoberto Bartolomeu Bueno da Silva, bandeirante em mármore, tão à  mercê das nuvens e dos pombos.

O MASP, cavalo de Tróia paulistano, foi erguido e inaugurado sobre os olhos de uma rainha protestante e um general católico. Em novembro de 1968, Elizabeth e os militares não imaginavam ter celebrado a abertura de um grande pedestal para deuses da Ásia, África e tantos outros pontos marginalizados do globo. A exposição fictícia Os Deuses Vermelhos do MASP reúne obras de seu acervo que envolvem a narrativa de fé de minorias no ocidente: povos e indivíduos que tiveram seus signos estraçalhados por uma fé machista, moralista, autoritária, branca e amplamente promovida por toda a história da arte.

Idade média

  • Par de Guardiões Chineses . Terracota policromo de tipo. Período Tang 618-907 d.C.guerreiros chineses
  • Urna funerária. Cerâmica. 400-1000 d.C.22471282_1438777016237682_2112681800_n

Renascença

  • São Sebastião na Coluna. Pietro Perugino e ateliê. 1500-10. Óleo sobre telaPietro Perugino

Maneirismo

  • As Tentações de Santo Antão. Hieronymus Bosch. 1500. Óleo sobre madeiraBosch

Romantismo

  • O Inverno – Juno Implora a Eolo a Destruição da Frota de Éneas. Eugène Delacroix. 1863. Óleo sobre telaDelacroix

Realismo

  • Cigana com Bandolim. Jean-Baptiste-Camille Corot. 1874. Óleo sobre telaCorot

Pós impressionismo

  • O Negro Cipião. Paul Cézanne. 1868. Óleo sobre telaCézanne
  • O Banco  de Pedra. Vincent Van Gogh. 1889. Óleo sobre telaVon Gogh
  • Pobre Pescador. Paul Gauguin. 1896. Óleo sobre telaGauguin

Expressionismo

  • Candombe. Pedro Figari. 1930. Óleo sobre cartão22447303_1438777022904348_250575551_n
  • O Lavrado de Café, Cândido Portinari. 1934. Óleo sobre tela.Portinari

Cubismo

  • Circo Ambulante, Paul Klee. Reproducão em serigrafiaKlee

Surrealismo

  • Bryce Canion Translation. Max Ernst. 1946. Óleo sobre telaErnst

Primitivismo

  • Exu. Nigéria, tribo de Yoruba, região de Oyo. Século XX. Madeira e outros materiaisExu
  • Figura com Criança. Agnalfo Manoell dos Santos. 1962. Madeira22472648_1438821609566556_424646968_n
  • Oxosse na sua Caçada. Rafael Borges dde Oliveira. 1952. Óleo sobre madeira

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Adolfo Caboclo

Comunicólogo, pós-graduado em administração e em neurociência e psicologia aplicada. É um dos fundadores do Coletivo Não Só o Gato, do Movimento Cidade Lúdica e do Cia Suspirada de Palhaços Amadores.

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