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Personalidade no Armazém Álvares Tibiriçá

A inauguração da casa com pinta de que vai agitar a região de Santa Cecília.

por Adolfo Caboclo, 8 de dezembro de 2014

Na última sexta-feira, eu era a alma derradeira no escritório. O último suspiro de paixão no sexto andar, o ser que carregava a sina de desligar o ar-condicionado, apagar as luzes e trancar as portas. Então, como último ato diante do computador, chequei o meu e-mail pessoal – pessoal? – e vi que tinha recebido um convite: tratava-se da inauguração, o soft opening, do Armazém Álvares Tibiriçá.

Álvares Tibiriçá: a parceria do empresário Marcelo Álvares com José Tibiriçá Martins, o Tibira. Um homem que é a cara da Augusta e que eu já entrevistei há quase dois anos para falar sobre seu outro empreendimento, o Caos.

Aliás, de cara, antes de conhecer o local,  já tive duas percepções sobre o tal Armazém. Primeiro sobre a sua localização, bem na Rua Marquês de Itu, na Vila Buarque. É um fato de que coisas muito legais abriram por lá nos últimos meses. Seria um reflexo do novo futuro do Minhocão? Não sei.  Eu sei que uma transformação está acontecendo na noite dessa área.

Segunda percepção que me chamou a atenção foi o fato do Tibira, em especial, sempre ter aberto negócios com um conceito muito forte — com uma história por trás — como, por exemplo, o Caos e o “finado” Vegas (1 minuto de silêncio). Só que dessa vez um negócio foi aberto com a bandeira de seu próprio nome aliada ao do sócio, “Alvares Tibiriçá”. Concluí que chegou um momento em que o nome da dupla tornou-se, por si só, uma narrativa/conceito, e que o Armazém deveria traduzir toda essa personalidade forte em sua atmosfera.

Revestido dessas premissas fui desbravar o tal barzinho e, já de cara, encontrei muita satisfação no que vi.

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Um bar agradável, com uma pegada rústica, coisas vintages e pessoas estilosas. Só quem trabalha perto do Mackenzie sabe a dificuldade que é encontrar um lugar legal pra tomar chope pela região. O Armazém é, de fato, um oásis.

Lá dentro bisbilhotei todos os cantos da casa, que tem a opção de bancos altos para sentar — não sei exatamente quando criei uma teoria que todo barzinho que presta tem bancos altos como opção. Ao meu lado sentou-se um casal de idosos do bairro que passava pela casa e resolveu entrar pra prestigiar. Então aconteceu: a senhorinha pediu uma Stella Artois. Tadinha… mal imaginava que a casa proporciona aos seus clientes apenas “cervejas doidas”. Enquanto um amigo pediu a cerveja Cacílds (com o Mussum no rótulo e tudo), eu pedi a sugestiva IPA “Refrescadô de Safadeza”. Também experimentamos o Bloody Mary e um drink da casa chamado Malena — licor de morango, alecrim, xarope de gengibre, vodka, água tônica e essência de limão siciliano — tudo muito bom.

Porém a grande surpresa da noite foi mesmo a comida do Armazém. Lá é um lugar que se come realmente bem e por um preço honesto. Pratos bem servidos, como galetos e peixes, estão presentes no cardápio, na sessão de “xepas”. Meu amigo pediu um hambúguer que veio com batatas fritas da casa, bacon, queijo e todas essas coisas que um hambúguer clássico tem que ter. Como sou “ogro-lacto-vegetariano”, pedi um pão com ovos e queijo brie — ambos os lanches chegaram em uma apresentação realmente impressionante.

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Tanto que hoje, segunda-feira, levei o pessoal do meu serviço para almoçar por lá. A galera curtiu muito: no almoço, o cardápio é diferente, mais enxuto. O pessoal se deliciou com galetos com fetuccine e t-bones. No meio do almoço, o chef da casa, Matheus Zanchini, desceu as escadas do Armazém e foi até nossa mesa perguntar se estava “tudo ok”. Ele explicou que o cardápio do almoço será rotativo, o que gera uma expectativa.

A primeira impressão do Armazém Álvares Tibiriçá foi bem positiva, tanto como happy hour como local de almoço. Fica a torcida para que as coisas se mantenham assim e até melhorem. E anotem: Santa Cecília será “o” bairro boêmio de 2020.

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Adolfo Caboclo

Comunicólogo, pós-graduado em administração e em neurociência e psicologia aplicada. É um dos fundadores do Coletivo Não Só o Gato, do Movimento Cidade Lúdica e do Cia Suspirada de Palhaços Amadores.

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